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22/10/2017

Dia Mundial das Missões - Ir. Irene - Albânia 2017

Olá, eu sou a Irene, tenho 50 anos, (...) uma pausa para escutar: I belive I can fly, R. Kelly
Ainda não contei? Eu nasci no dia da Festa de Santa Catarina de Sena num lugar chamado São Domingos (Portugal). – “Como seria a minha vida se eu não fosse Dominicana?” Até podia ser boa, mas não era a mesma “coisa”.
No ano em que a Congregação (Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena) Celebrou os 150 anos; e, aos 48 anos fiz de novo os Primeiros Votos. E, eis que 30 anos depois de nascer o sonho de partir para as Missões Ad Gentes recebi o convite para partir para a Albânia (2 dias depois dos Votos). Sim, SIM  e 3 meses depois cheguei ao Aeroporto Nënë Teresa.
       A Albânia é um pequeno país da Europa central, lindíssimo, todo cercado de montanhas e com belas praias; É tipicamente Islâmico, embora muitos sejam “não praticantes”, enquanto outros são mais radicais e é normal ver mulheres e crianças com véu e ou com burca; os Cristãos são 5% dos crentes.
       O povo albanês é de uma Fé incrível, tem fome e sede de Deus; e, em tempos passados foi proibido de viver a sua Fé, viu os seus Templos destruídos ou transformados em galinheiros; Islâmicos, Bektaxis e Cristãos vivem em paz, não é apenas tolerância, nos bairros, todas as pessoas vivem/vivemos como bons vizinhos, como irmãos. Os Santuários - Católicos - como por exemplo, Santa Eufêmia e Santo António ficam situados no meio das montanhas, em lugares fantásticos em beleza, silêncio, luz, água... são pequenos lugares do Céu na terra.
       Qual é a minha missão? Qual é a nossa Missão?
* A nossa Missão aqui é viver em comunidade, Rezar, estudar, celebrar Eucaristia, usar de Caridade - Fazer o Bem Sempre -  em COMUNIDADE.
* A nossa Missão aqui está ligada sobretudo às crianças: damos apoio a um Jardim Infantil da Igreja Católica, em Maminas, uma localidade a 20 km de Tirana, onde apenas 2 crianças são Católicas; Dirigimos de um Jardim Infantil, em Breglumas, um bairro pobre nos arredores da Capital, onde crianças islâmicas e católicas crescem e aprendem a viver juntas  e em comunhão fraterna;

* A nossa Missão aqui é: Colaborar com os Padres Salesianos na Evangelização do Bairro e na Igreja, quase tudo é da nossa responsabilidade;
* A nossa Missão aqui faz-se no terreno, juntos dos mais pobres e doentes, visitando as famílias, escutando as pessoas e depois é “ajudar sempre e onde seja possível” (TS);
* A nossa Missão aqui concretiza-se através da oração do Rosário em casa das famílias ou com a presença do senhor Padre, celebramos Eucaristia nos confins do Bairro, como no tempo dos Apóstolos.
 * A nossa Missão aqui realiza-se na luta contra o tráfico de pessoas em colaboração com a ONG – URAT.
* A nossa Missão aqui – há quase 20 anos - é Ser Sinal da Ternura de Deus.
      É fácil? A língua albanesa é difícil, a cultura é “antiga”, a comida é à base de lacticínios – sou alérgica; as Irmãs, somos todas muito diferentes… por isso às vezes é difícil, mas como disse o Papa Francisco em 2015, dirigindo-se aos jovens: “Não deixem que vos roubem o sonho” de serem MISSIONÁRIOS.
     E aqui conheci pessoas fantásticas; viajei com os jovens da paróquia até Medugorje (Bósnia), tive o privilégio de acompanhar a canonização de Madre Teresa de Calcutá – albanesa – a nossa Nënë Tereza; De Viver a canonização de 38 Mártires albaneses. Que vidas! Que testemunhos! Quanto Amor – maior do que tudo que se possa chamar grande! Sinto-me “quase nada” (inútil) diante de gente verdadeiramente GRANDE.
      Uma curiosidade: sabem qual é o melhor local para se rezar em Tirana? A Catedral Ortodoxa: simples, linda, silenciosa, bom acolhimento – vale a pena ir e ficar um pouco.
Jesus terá dito: “A casa de meu pai tem muitas moradas” e assim é de facto; E com o coração sempre aberto para as surpresas de Deus estou quase, quase a abraçar uma nova Missão em Portugal – “Ofereci-me a Jesus, então Ele fará de mim o que quiser.” (TS)
   Um segredo: gosto de rezar o Rosário em várias línguas e antes de adormecer quando estou cansada ou preocupada com alguma coisa, escuto Salve Rociera..
Ser Missionário é uma arte de viver com Cristo Ressuscitado, onde e como Ele quer!
Com tudo que tenho vivido, só posso dizer 2 “negócios”: 
A vida com Cristo Jesus tem SENTIDO, “a Ele devo a minha liberdade” (Ex.15) 
e “FELIZ 1000 Xs FELIZ sou eu e por tudo dou graças a Deus”. (TS)
(continua)

Nota: Foi publicado, em Inglês, francês e espanhol - As línguas oficiais da Ordem Dominicana no site do IDYM (Jovens Dominicanos):
http://www.idymop.org/en/index.php?option=com_content&view=article&id=152%3Aday-feast-of-our-father-st-domnic-2017-albania&catid=35%3Anews&Itemid=59
Esta semana partilhamos aqui em português!

20/10/2017

A Playstation do Dominismissio


No dia 16 de Agosto, uma caixa da Playstation foi colocada na mala do autocarro com destino a Estremoz. Tinha um jogo instalado, do qual se sabia pouco, mas que, segundo nos disseram, ia estar no modo “difícil” este ano.

Perguntaram qual era a motivação dos 26 gamers que o iniciaram e… eu nem soube dizer a minha. Sei que nestas semanas de Missão, temos uma missão que queremos completar e quando o fazes passas para outra missão. O comando está nas tuas mãos e é das tuas mãos que decides se vais ou não, se arriscas, se passas à primeira, ou se falhas, perdes e voltas a tentar. Até conseguires passar de nível.
Jogas por obrigação? Não, porque te deixas absorver, deixas-te estar em sintonia, e nem dás pelas horas a passar. A questão é… jogas só para ti mesmo? Jogas para virar as costas à tua rotina diária? Para preencher o teu vazio interior com as recompensas que cada nível te traz?
Talvez tenha sido esse o “bug” no qual tropecei: o silêncio que este ano a actividade de restauro dos bancos me trouxe fizeram-me sentir saudades do barulho, constante êxtase da novidade, as retribuições omnipresentes de carinho e gratidão nos lares de idosos e centros de dia… Será que não estava a jogar só pelas recompensas que iria receber no fim do nível?

Foi fundamental o botão “pausa” e todos os momentos de oração e silêncio, de intimidade com Deus, para valorizar o estar, o estar com o outro, o dar e entregar-se, o saber jogar o nível em si mesmo e não o seu fim.
No Dominismissio nunca estamos só nós no comando, mas jogamos em equipa, não somos um “eu” mas um “nós”. E quando paramos para descansar, percebemos que tivemos Deus a jogar connosco. O desafio foi superado porque aceitamos trabalhar em equipa 🙂


No dia 23 desligamos a Playstation. Fomos para as nossas casas. Mas as missões continuam, os desafios aguardam. O comando está nas nossas mãos.
Queres continuar a jogar?
Ivo Machado



19/10/2017

Voluntariado

  O Dominismissio é uma experiência irrepetível e única. Pelos momentos de oração, que sentes Deus no teu coração, pelas brincadeiras em grupo e sobretudo pela amizade que predomina neste grupo. Voluntariado pode ser traduzido para qualquer idioma e ter imensos significados mas nada traduz o que sentes quando fazes voluntariado com Amor e sentes o teu coração a vibrar por um sorriso que conseguistes despertar naquele idoso. 




Foi uma semana de voluntariado muito exaustiva mas sinto que valeu a pena e se cheguei ao fim da semana exausta significa que dei o meu melhor para que tudo corresse bem comigo, mas principalmente com os que me rodearam durante essa semana. Não há muitas palavras para descrever o que se vive e o que se apreende no Dominismissio. Foi e será uma semana para ser recordada nos nossos corações.

 Daniela Guimarães



14/10/2017

Dominismissio VI, explicado num cântico

Pode um cântico explicar o que se viveu em Estremoz, de 16 a 23 de Agosto? 
Pode-se explicar como um grupo de 28 pessoas pode funcionar com idades e interesses tão diferentes? 
Pode-se entender que um grupo de adolescentes e jovens troquem as férias, a familia e os amigos para viverem uma semana juntos, dormirem no chão, cozinharem, rezarem e fazerem atividades em várias Instituições gratuitamente? 

  

Quem é que fez o mundo?
Quem inventou o sabor da maçã? 
Quem é que pintou as estrelas? 
Quem levanta o sol pela manhã? 

Quem é que faz bater as ondas? 
Quem faz as árvores crescer? 
Quem é que inventou a água? 
E me faz a mim viver? 

Tudo isto me é dado, 
mesmo sem eu o merecer! 
Se não o recebo como dom 
nunca o saberei agradecer! 

Quantas vezes bate o coração, 
sem nunca depender de mim? 
Quem é que sou eu para Ti, 
para gostares de mim assim? 


Quem é que inventou a vida? 
Quem é que vestiu as flores? 
Quem encena o pôr-do-sol? 
Quem é que inventou as cores? 

Quem é que faz girar a Terra? 
Quem é que encheu o mar? 
Quem pintou de azul o céu? 
Quem foi o primeiro a amar?

Nome do Cântico: Sabor da maçã
Autor(a): Duarte Rosado SJ

11/10/2017

VTS, 15 anos, ecos...

Inês, Luis e Eugénia renovaram o compromisso pela 1ª vez



O XI Encontro Nacional do VTS (Voluntariado Teresa de Saldanha) realizou-se de 6 a 8 de Outubro em Fátima e contou com a presença de 26 Voluntários e três Irmãs. Celebrou-se o 15º Aniversário do VTS. O tema de reflexão explanado pela Natália Faria foi, Enviados a pregar o Evangelho, baseado na Carta do Mestre Geral e do seu testemunho vivenciado no Congresso em Roma.

Voltaram a renovar o Josimar, a Carla, o David, a Liane,
 a Andreia e a Carla
Dimitri, Pedro, Angelpe, Manuel, António, Arcelino e Marcos fizeram pela 1ª vez Compromisso 
Durante a tarde de sábado os voluntários foram enviados a fazer um trabalho de rua, que para além da distribuição de pequenos cartões de divulgação, falaram da Madre Fundadora e da sua obra. Foram momentos muito marcantes para todos os jovens.

Foi também discutido e aprovado o novo logo do VTS.


Ao fim do dia de sábado celebramos a oração do rosário e vésperas com a Assembleia Europeia do Laicado Dominicano, assim como o Jantar e o Convívio à noite, muito animado pelos nossos jovens.
O Domingo foi ponto alto a celebração da Eucaristia, presidida pelo Fr Pedro Fernandes, onde pudemos contar com a presença da Madre Geral, e onde 16 jovens Voluntários fizeram pela primeira vez o seu compromisso ou renovaram e dois iniciaram a sua caminhada no VTS com a oração de Consagração.
O almoço foi um momento de celebração e festa, com direito a bolo para festejar os 15 anos do VTS. Uma das prioridades do Capitulo Geral é que em cada comunidade se organizem grupos do VTS e dos amigos da MF. Que o Espirito Santo nos anime e encoraje para levarmos por diante a obra que começou. Guarda, 10-10-2017
Ir Alzira Ferreira

09/10/2017

Acolher os caloiros

Entrar para a Universidade é uma etapa importante... Mas nem sempre é fácil a adaptação...
 O CUFC iniciou dia 18 de setembro as atividades de acolhimento aos novos alunos, vários grupos de alunos, que participaram no "Campus 4us" puderam conhecer a casa. 
 Porque queremos continuar a ser: “Atua casa fora de casa”! 
 "No passado dia 3 de outubro de 2017, terça-feira, ocorreu mais um grandioso evento no Centro Universitário de Fé e Cultura (CUFC) como forma de acolher os novos alunos da Universidade de Aveiro e dar início a um novo ano escolar – Sunset e Bênção do Estudante."
 Matraquilhos, jogos, música bebida e comida proporcionaram o convívio e integração de todos os que apareceram!
 "A Eucaristia presidida pelo Bispo de Aveiro, D. António Moiteiro foi animada por alguns alunos do curso de música, juntamente com outros estudantes, foi transmitida em direto para alegria de algumas alunas de ERASMUS. Embora o número de presentes tenha sido ligeiramente menor aos anos anteriores (cerca de 70 pessoas), houve uma melhoria estatística, visto que a maioria eram estudantes do ensino superior." Patricia Santos 

05/10/2017

5 de Outubro de 1910

Hoje é dia da implantação da Republica, mas também da extinção das Ordens religiosas em Portugal! 

É importante fazer memória: 
"Na véspera da saída a Madre Maria Teresa, então prioresa, reuniu todas as Irmãs no Coro de baixo e disse algumas palavras às Irmãs animando-as a estarem prontas a tudo o que Nosso Senhor lhes pedisse e ordenou-lhes que fizessem a vénia diante do SS.mo Sacramento.
Quem escreve estas linhas lembra-se bem o que foi aquele almoço que, para nós devia ser o último naquela casa! As lágrimas corriam-nos pelas faces, pois à saída do refeitório, chegou a Madre Procuradora Geral com um jornal na mão onde vinha o Decreto da expulsão das Ordens e Congregações Religiosas." (Cf. Thiaucourt, 292) – Madre Rosa Thiaucourt

"No dia 10, Rosa Thiaucourt, saiu de Benfica com as 67 Irmãs que aí viviam. As outras comunidades foram encerradas e as Irmãs estrangeiras expatriadas para os seus países de origem, as portuguesas, prisioneiras no Arsenal da Marinha, durante os primeiros dias, foram depois dispersas…" - Teresa de Saldanha que investiu tudo o que tinha na casa de Benfica, fica sem nada... Ai mostra a sua firmeza... Confia em Deus e a obra continuou até aos dias de hoje... 
Ir. Flávia Lourenço, op


04/10/2017

Cântico das Criaturas, São Francisco de Assis

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor
Teus são o Louvor, a Glória,
a Honra e toda a Bênção.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que,
com a sua luz, nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor;
de Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras.
preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor.
pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno
e por todo o tempo
em que dás sustento
às Tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água, útil e humilde,
preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo,
com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre,
vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos,
flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam pelo Teu amor
e suportam as enfermidades
e tribulações.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!
Dai-Lhe graças e servi-O
com grande humildade!

02/10/2017

Parabéns VTS: Bodas de cristal!

Afinal o VTS faz bodas de cristal!!! 
Parabéns a cada voluntário!
"Fazer o bem sempre"! 


😍

29/09/2017

Ir Samuel 75 anos



A Ir. Maria Samuel Vieira habituou-nos à sua criatividade, às suas brincadeiras!!! <3 75="" a="" anos="" consagra="" de="" deus="" entrega="" nbsp="" o="" p="" religiosa="" s="">

28/09/2017

22/09/2017

Jub-Jovem

 

“Esta peregrinação juvenil quer oferecer a cada participante a oportunidade de descobrir algo do segredo de si mesmo que ainda não conhece, e que só Deus lhe pode dizer, para alcançar a paz consigo mesmo e com todos à sua volta, na casa comum que partilhamos, o planeta”, lembrando que “para aí chegar só há um caminho, o caminho do coração”, informa o santuário."


Depois de um verão com duas grandes atividades de Pastoral Juvenil, a motivação para estar no Jub-Jovem era a tónica eclesial e mariológica de ser uma atividade dinamizada pelo Santuário de Fátima... Se o cansaço me colocou dúvidas, foram os jovens que se motivaram e me motivaram a participar... 
Entre os worskhop da tarde, o mar de luz do Santuário à noite e o Concerto com o Miguel Araujo e António Zambujo, foi a canção final, que ao inserir os músicos presentes e colocar a confiança, neste "Onde Deus te levar.." o ponto alto que parecia insuperável:
Mas a maior surpresa estava escondida pela escuridão da noite, no caminho dos pastorinhos, fazer a Via Sacra, em silêncio, sempre vigilante para não perder ninguém... com o meu grupinho, mas envolvida por centenas de jovens que faziam o mesmo caminho... Foi um enorme sinal de esperança, de que o Espirito Santo trabalha o coração dos jovens!!
Se aprenderam muito sobre Fátima? Talvez não, mas alguma coisa aprenderam...  Fátima para quem foi comigo também foi o momento de pensar que o caminho continua...  Se cem anos atrás Deus quis contar com 3 crianças... Agora quer contar contigo!!! 
Ir. Flávia Lourenço, op






19/09/2017

Santiago nesta estrada (da vida)

Para Santiago nesta estrada (da vida)... Fazer o caminho de Santiago era algo que tinha nos meus planos há muito tempo. Felizmente e em boa hora este ano o sonho foi cumprido! 
Para Santiago levei esperança, entrega e fé em Deus. Esperança porque nela confiei para que o caminho me mostrasse e ensinasse o "caminho"(da vida). Entrega porque entreguei tudo e confiei. E fé porque sem fé nenhum caminho se faz. 
Deixei tudo para traz e para além da esperança, da fé e da entrega levei comigo também algumas dúvidas e medos que em mim persistiam entregando tudo nas mãos de Deus e do apóstolo Santiago. A caminhada fez-se super bem (em todos os sentidos) tudo correu melhor do que esperava. Nem as bolhas impediram que alguma coisa pudesse correr bem. Durante esta caminhada as minhas dúvidas persistiam, mas à medida que íamos avançando no caminho, eram cada vez mais as certezas de que tudo corre bem quando colocamos Deus nas nossas vidas. 





À medida que vamos caminhando vamos conhecendo cada um e vendo como somos pessoas tão diferentes umas das outras, mas mesmo assim precisamos todos uns dos outros. Conheci um grupo de pessoas incríveis que quero levar para a minha vida. Com outras pessoas que já conhecia antes fortaleci ainda mais os laços da nossa amizade. Tudo foi uma dádiva de Deus, mas também uma aprendizagem, que ao contrário das outras lições que aprendemos, estas não estão escritas em lado nenhum, aprendem-se caminhando. Para mim esta caminhada foi uma experiência muito gratificante, sem sombra de dúvida uma das melhores experiências da minha vida que irei levar para sempre na memória mas principalmente no coração e que irei repetir sempre que tenha possibilidade.
 A caminhada jamais terminará (aliás acabou de começar)!!!



 Beatriz Braz

16/09/2017

Missão: lá fora mas cá dentro (um testemunho vocacional)!!!

Queridos leitores,

Entre 16 de setembro de 2016 (há precisamente um ano atrás) e 30 de julho de 2017 tive a oportunidade de viver um ano de missão. Qual o país para onde fui fazer voluntariado? Fui para Portugal, mais propriamente em Aveiro, na Casa das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, por outras palavras: fui para o Convento!
É verdade que foi um ano intenso de missão com as Irmãs, de conhecimento, e sobretudo, de discernimento vocacional. Entrei para o Convento consciente que levava mais perguntas que respostas, mais dúvidas que certezas. Mas, um ano passou, e agora?!?!?

A dado momento da minha vida, senti que Deus me pedia algo mais. Sem saber o que Deus me pedia e com vontade de descobrir, arrisquei em perceber a Sua vontade e o que Ele quer para mim. A partir dessa decisão, foi um quase procurar as pessoas “certas” para me acompanharem. Conhecendo já as Irmãs Dominicanas e pertencendo ao VTS (Voluntariado Teresa de Saldanha) e à Pastoral Juvenil e Vocacional Dominicana, fazia todo o sentido iniciar esta Caminhada nesta Comunidade, e mais concretamente na Comunidade de Aveiro, uma Comunidade muito especial :) Quando proposta à Prioresa para viver um ano com as Irmãs, foram-me colocadas algumas “regras” como por exemplo:“Se saíres avisa, diz para onde vais. Só para o caso de te acontecer alguma coisa a gente saber”.
Muito difícil de cumprir as “regras” :) é como se fosse viver com os pais, mas no caso, com pessoas mais velhas e com uma experiência e sabedoria de vida fantástica, própria dos nossos jovens seniores :)

Viver em Comunidade e todas as “regras” que isso implica, viver a diferença, as limitações – minhas e dos outros – os gostos, as complicações do dia a dia, as preocupações, as doenças....um desafio que aceitei de livre e espontânea vontade, só assim poderia ser.

Lembro-me do nervosismo com que entrei no Convento, pois a matemática é uma ciência exata, mas as coisas de Deus....tem que se lhe diga! Porém, para além de descobrir a vontade do Amiguinho, ia estando com as Irmãs. A Comunidade de Aveiro funciona como Lar de terceira idade, mas para religiosas, no caso dominicanas. Num momento inicial, trazia as Irmãs à rua, fazia uma pequena visita às Irmãs que não podiam sair (a visita pascal, como lhe chamo :) pois era uma visita curta) e tratava da medicação. Posteriormente, fiquei só “responsável” pela medicação e pelas visitas.
Confesso, nunca tive muito jeito com idosos e só pelo simples facto de fazer “visitas pascais” me deixava com algum receio, pois não sabia o que dizer e muito menos sabia começar uma conversa pois há algumas Irmãs que têm alzheimer, que estão acamadas, que ouvem mal – próprio da idade – sim, as Irmãs são pessoas normais, também ficam/“ganham” doenças (não é por serem Freiras que deixam de ser pessoas, são humanas!).


Para além de estar com estas Irmãs do “3ºAndar”, o meu tempo passava também por ajudar a preparar atividades pastorais assim como catequeses – a minha praia :)
A nível profissional, dava aulas de música – trompa.

No meio disto tudo, “Olá Deus, sei que me conheces, mas...o que queres mesmo para mim???”




Sim, a inquietação de quem procura respostas e só encontra perguntas; a sensação de estar sempre a andar às voltas, quase nunca saindo do mesmo sítio, mas o topo da montanha estava próximo; o que é que os pais, amigos e familiares vão dizer se se vier a confirmar (que a minha vocação passará por ser religiosa); como vão reagir se na verdade nada se vier a confirmar; o que é que os outros vão dizer. Na verdade, mais do que o que os outros pensam, é o que nós pensamos. Em determinados momentos chorei, pois tive consciência que alguns amigos próximos estavam a falar de mim e sobre o meu futuro nas minhas costas em vez de me perguntarem diretamente. Por outro lado, tive amigos em que a minha escolha vocacional só me dizia respeito a mim e estavam indiferentes, pois “só quero o teu bem” e “tens o meu apoio para o que te fizer feliz”. Foi importante deixar cair a etiqueta de “o que os outros pensam de mim”, a partir daqui as coisas foram ligeiramente mais fáceis.

Mas, voltando ao viver em Comunidade, mais concretamente viver com pessoas que têm idade para serem minhas avós :) Eh pá…. Viver com estas Santas (a forma carinhosa com que eu trato as Irmãs :) ) foi brutal. Ok, no início quase me chegava a irritar por agradecerem tudo. Achava exagerado, quase um espirro que eu desse agradeciam (sim, agora exagerei), mas, constantemente agradecem.

Passando para o meu dia a dia, e até mesmo enquanto professora, acho que agradecemos pouco e em certos momentos não agradecemos por algo que nos fizeram (como que o que outro fez fizesse parte da sua obrigação) e nem damos valor ao que temos. Aqui, aprendi com as Irmãs a dar valor às pequenas coisas, pois, às grandes... todos agradecem!


A nível de oração, acho que nunca rezei tanto o terço como este ano :) tentava estar ao máximo presente nas orações com as Irmãs, algo que me foi proposto desde o momento em que entrei no Convento, e estando em discernimento vocacional fazia todo o sentido participar nas orações, pois é uma das formas de Deus se revelar/falar. Pela manhã, eram as laudes e missa – seguida de pequeno almoço com o Monsenhor João (já tenho saudades deste bom homem, pois para mim era o avozinho que me contava histórias e histórias de vida); depois à tarde, terço e vésperas e à noite, depois do recreio, completas.
 


O que é o recreio? É o momento do dia em que as Irmãs se reúnem, veem telejornal/futebol (se estiver a dar) e partilham o que fizeram durante o dia, como o mesmo lhes correu e como estão as Irmãs do “3ºAndar” (a preocupação com o outro).








Em determinados momentos, o recreio serviu para as Irmãs ajudarem com trabalhos para a Pastoral (quer a nível de catequeses quer para a pastoral do ensino superior), a cortar e dobrar material. Uma mão de obra boa e barata :) Quando não haviam trabalhos, haviam anedotas :) A vida é composta por tudo, até de grandes gargalhadas :)




Agora, que chega o momento de fazer o balanço e até de tomar consciência em que parte do Caminho me encontro, bem.... saí do Convento com muito mais do que deixei. Já disse e digo várias vezes, o estar no Convento (e acredito que para o género masculino seja o estar no Seminário) é algo muito desafiante, pois ficámos-nos a conhecer melhor e a chamar as coisas pelo nome, e em nós por vezes achamos que “eu não sou assim” e a verdade é que somos mesmo assim e ligeiramente um pouco pior, mas só ligeiramente :)


Desta Casa levo a atenção e o cuidado pelo outro; o ser agradecida e agradecer pela oportunidade que tive; a aprendizagem de em momentos de dor (falecimento de alguma Irmã), estarem todas unidas; em momentos de doença, todas se preocupam e quererem o bem da outra; “ó menina, bai comer....tu tens de comer não é só trabalhar”; “cuide de si, cuide de si”, e por incrível que pareça, foi o que mais me disseram antes de sair.



Contudo, apesar de ter estado no Convento, não me desliguei do mundo e fui estando atenta ao que se passava à minha volta, mas este “cuide de si”... tem que se lhe diga. Sim, em determinados momentos partilhei as minhas preocupações, e claro, as avozinhas tinham soluções bem simples para os meus "grandes" problemas :)


A partir daqui as coisas serão diferentes, pois a visão que tenho de mim mesma não é igual à de um ano a trás quando entrei no Convento.
A questão que muitos de vós estarão a colocar agora, acredito que seja: mas, vais ser freira? Não sei :) Como disse no início, compreender “as coisas” de Deus não é fácil. Neste momento, acho que não é por aqui o meu Caminho, acho que não é como religiosa que Deus me chama.



Ao que é que Deus me chama? Pois, o caminho faz-se caminhando :) a estrada é longa e tenho consciência que ainda tenho muito Caminho para percorrer. Ainda muitas lágrimas vou chorar; ainda muitas gargalhas vou dar até perceber a vontade de Deus para mim.




Neste ano que viveste no Convento, foste feliz? Sim fui feliz, pois estava rodeada por pessoas que me amavam, que me respeitavam, que me aceitaram com todas as minhas limitações e que compreendiam as minhas inquietações.

Ciente que “Nós só perdemos aquilo que não damos.” (p.125, O Tesouro Escondido, José Tolentino Mendonça), eu dei o melhor de mim mas......recebi muito mais do que o que dei.

Por tudo o que recebi, o meu profundo e sincero OBRIGADO!
O Caminho continua, e eu estou no Caminho como Peregrina que sou :)

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Natália Faria